sexta-feira, 3 de abril de 2015

Nunca gostei da noite.
A noite chegava e com ela chegavam os medos, os pesadelos e os monstros. Ainda hoje, mesmo já não acreditando em nenhuma dessas coisas, continuo com medo de adormecer. Os pesadelos são outros, os monstros mutaram-se e agora são pessoas reais com forma e cabelo.
Quando era pequena aprendi a fazer todos os fins-de-semana uma mala e ir para outra casa. Essa casa, por muito que me tentassem fazer uma lavagem cerebral, não era- de todo!- a minha casa. Não era um sítio onde quisesse sequer estar meia hora, não que me tratassem mal, também não era o caso, mas não era a minha casa. E isso devia bastar. E quando cresci deixei de fazer a mala. Limpei os medos, livrei-me dos monstros. Mas não pensei que alguns já viviam em mim, independentemente da casa onde dormisse. Faziam parte de mim. E, por isso, ainda hoje não consigo dormir. Tenho imensas noites em claro. Aprendi a gostar da noite, porque convivo com os seus habitantes, os monstrinhos dos contos de fadas para adultos. Para mim, a parte que mais gosto da noite é ver a lua. Lembra-me as viagens noturnas em que parecia que ela andava a correr ao lado do carro. Onde eu imaginava viver nela. A lua foi sempre um símbolo para mim, não sei a razão, mas sempre me inspirei nela para escrever as minhas histórias.
E hoje, inspirou-me mais uma vez. Hoje fui visitar a minha cara-metade, ou metade-cara, pontos de vista, pois sai-me caro sustentar este vício. E sim, ele é um vício. Hoje deixei Roma, volto a casa.
E hoje, ao lado dele, a lua nunca me pareceu tão bonita.

sábado, 7 de março de 2015

Não consegui escrever. Sentir, isso sinto muito. Mas não quis partilhar.
Ontem foste embora de Portugal, três anos ouvi dizer. Mas mesmo enquanto cá estavas, mas já noutra cidade, foram vários os altos e os baixos. Mas esqueço os baixos, guardo os altos, porque quando for ao contrário apenas vai restar mágoa e nada de vontade.
Amo-te, e hoje, com a saudade, sei que é mesmo verdade.
Vou esquecer os ciúmes que tive, vou esquecer a raiva que sentia quando via fotografias tuas que não queria ver. Não queria porque eras tu a viver a tua vida, e eu a perder a minha.
Hoje sinto que sou capaz e guardo as nossas últimas horas neste país, porque em breve também eu vou para esse e poderemos viver o nosso amor em mais do que um país, quem sabe em mais do que um continente.
Sinto-me forte, porque tu me disseste o que precisava, verdade ou não, fez-me forte, por isso obrigada.

"Não há adeus no amor, ainda menos na saudade."
Fazes-me tanta falta. Até já

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Dia 5

À noite é pior, mas tenho-me aguentado. Acredito e confio em nós. Às vezes...
Outras desconfio e nem em mim própria posso confiar, pois nunca faço o melhor para mim e entro numa espiral de pensamentos que não me fazem nada bem. Mas tens me percebido, algo que não pensei que acontecesse. Sinto-te mais atencioso, devem ser as saudades, mas pergunto-me quanto tempo irá durar.

Amanhã estamos juntos outra vez. Devo confessar que houve alturas em que pensei que a distância não dá para mim, que não vou aguentar, não sei o futuro, mas conheço-me e conheço-te também. Há dias em que gostava de ter mais fé.

Irrita-me que agora que estava tudo tão bem tinhas de ir para longe e irrita-me que sou fraca ao ponto de deixar a minha vida revolver à tua volta quando há coisas piores que isto que estou a passar. Muito piores, mas apaixonei-me e agora não sei se consigo aguentar e, no fundo, o amor também é importante e toda a gente sabe que dói. E não há uma maneira fácil de curar.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Dia 1

Quase no fim de um dia sem ti.
Muitas saudades, desesperada para te ver outra vez. Ainda parece irreal. Parece que simplesmente não te vi hoje no meio das nossas vidas ocupadas.
É só o início, guardo as palavras de ontem "Vai correr tudo bem." Esperemos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sexta-feira (2 dias)

Que dia horrível, para não me pôr a dizer asneiras. 
Deixo o carro ir abaixo no cimo de uma subida e eu, que tenho problemas com o ponto de embraiagem, tinha logo de viver numa cidade cheia de montes e vales! Resumindo, buzinam-me ifernalmente. Aviso para quem me buzinou: só faz pior, e aumenta o tempo que lá fico parada em tentativas falhadas de pôr o carro a andar. 
Não havia sítio para estacionar, então estacionei em contramão, mas lá consegui sair sem causar danos a ninguém. 
Isto é, até que a Mariazinha dá por si com o vidro enevoado e então vira à esquerda numa "saída" que vem a descobrir era uma entrada. E assim dei por mim rumo ao sentido contrário da faixa, sorte que ninguém quis entrar e lá consegui virar-me no sentido da maré. Quando cheguei a casa nem quis acreditar.
Antes até achava que conduzia bem, mas quando fui deixada de carta na mão no mundo real descobri que sou péssima sem alguém ao meu lado com pedais.
Nunca mais pego naquele carro!

Quanto a ele, bem tentei marcar coisas para hoje, mas fiquei sem saber se sim, se nim... Prometeu que me dizia se fosse sair à noite ontem, mas não avisou. Esqueceu-se. Como vai ser quando estiver longe e se esquecer de mim?

Vou comer, que isto cuida-se com comida.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Quinta-feira (3 dias)

Não sei se é de ires embora se é dos exames, mas hoje foi uma porcaria de dia.
Estou farta de estudar, de dormir mal, de comer mal, de pensar "Hoje vou ao ginásio espairecer", hm não, não vais porque afinal tens de estudar.
E às vezes só queria olhar para o telemóvel e ter uma mensagem de carinho sem eu ter dito nada primeiro. Só queria sentir que não sou a única a sofrer por ires embora, ou a única angustiada com o que vai ser do futuro.
Mas não, acho que sou mesmo eu.
E pensar que podias ter a iniciativa de estar comigo. Ou de quando a tens, não apareceres 300 horas depois. Dou-te as dicas todas de que quero que venhas à noite ver um filme comigo e passar um bocado de tempo comigo, mas mesmo assim não vens. Quando é que é suposto estarmos juntos então?
O dia já está a acabar, temos dois dias. O que vais fazer com eles?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Quarta-feira (4 dias)

Ele vai embora. Não me vai deixar, mas vai embora. Vai viver para outra cidade primeiro e depois para outro país. Itália. Sendo como sou sei que vou ter muitos dias maus, alguns horríveis em que a saudade me esmaga lentamente e, de repente, de uma vez só.

Não sei o que será de nós quando isto acabar. Não sei se seremos os mesmos de quando começámos ou se seremos, ainda que remotamente, distintos.

Não vou escrever aqui só sobre ele e a distância e as saudades e o que sinto. Mas isso vai ser grande parte, pois eu quero saber onde nos perdemos e onde nos encontrámos de novo. Ele vai estar longe e eu quero-o perto e, por isso, vou tentar ser o mais sincera possível para que nem eu própria perca o fio à meada da nossa relação.

Hoje é quarta e domingo ele vai para outra cidade. Temos quatro dias. Serão bons ou maus? Iremos aproveitar ou discutir? Como será estar longe dele, sem saber o que faz nem com quem fala…? Será que vou aguentar?