Nunca gostei da noite.
A noite chegava e com ela chegavam os medos, os pesadelos e os monstros. Ainda hoje, mesmo já não acreditando em nenhuma dessas coisas, continuo com medo de adormecer. Os pesadelos são outros, os monstros mutaram-se e agora são pessoas reais com forma e cabelo.
Quando era pequena aprendi a fazer todos os fins-de-semana uma mala e ir para outra casa. Essa casa, por muito que me tentassem fazer uma lavagem cerebral, não era- de todo!- a minha casa. Não era um sítio onde quisesse sequer estar meia hora, não que me tratassem mal, também não era o caso, mas não era a minha casa. E isso devia bastar. E quando cresci deixei de fazer a mala. Limpei os medos, livrei-me dos monstros. Mas não pensei que alguns já viviam em mim, independentemente da casa onde dormisse. Faziam parte de mim. E, por isso, ainda hoje não consigo dormir. Tenho imensas noites em claro. Aprendi a gostar da noite, porque convivo com os seus habitantes, os monstrinhos dos contos de fadas para adultos. Para mim, a parte que mais gosto da noite é ver a lua. Lembra-me as viagens noturnas em que parecia que ela andava a correr ao lado do carro. Onde eu imaginava viver nela. A lua foi sempre um símbolo para mim, não sei a razão, mas sempre me inspirei nela para escrever as minhas histórias.
E hoje, inspirou-me mais uma vez. Hoje fui visitar a minha cara-metade, ou metade-cara, pontos de vista, pois sai-me caro sustentar este vício. E sim, ele é um vício. Hoje deixei Roma, volto a casa.
E hoje, ao lado dele, a lua nunca me pareceu tão bonita.
A noite chegava e com ela chegavam os medos, os pesadelos e os monstros. Ainda hoje, mesmo já não acreditando em nenhuma dessas coisas, continuo com medo de adormecer. Os pesadelos são outros, os monstros mutaram-se e agora são pessoas reais com forma e cabelo.
Quando era pequena aprendi a fazer todos os fins-de-semana uma mala e ir para outra casa. Essa casa, por muito que me tentassem fazer uma lavagem cerebral, não era- de todo!- a minha casa. Não era um sítio onde quisesse sequer estar meia hora, não que me tratassem mal, também não era o caso, mas não era a minha casa. E isso devia bastar. E quando cresci deixei de fazer a mala. Limpei os medos, livrei-me dos monstros. Mas não pensei que alguns já viviam em mim, independentemente da casa onde dormisse. Faziam parte de mim. E, por isso, ainda hoje não consigo dormir. Tenho imensas noites em claro. Aprendi a gostar da noite, porque convivo com os seus habitantes, os monstrinhos dos contos de fadas para adultos. Para mim, a parte que mais gosto da noite é ver a lua. Lembra-me as viagens noturnas em que parecia que ela andava a correr ao lado do carro. Onde eu imaginava viver nela. A lua foi sempre um símbolo para mim, não sei a razão, mas sempre me inspirei nela para escrever as minhas histórias.
E hoje, inspirou-me mais uma vez. Hoje fui visitar a minha cara-metade, ou metade-cara, pontos de vista, pois sai-me caro sustentar este vício. E sim, ele é um vício. Hoje deixei Roma, volto a casa.
E hoje, ao lado dele, a lua nunca me pareceu tão bonita.