Nunca gostei da noite.
A noite chegava e com ela chegavam os medos, os pesadelos e os monstros.
Ainda hoje, mesmo já não acreditando em nenhuma dessas coisas, continuo
com medo de adormecer. Os pesadelos são outros, os monstros mutaram-se e
agora são pessoas reais com forma e cabelo.
Quando era pequena aprendi a fazer todos os fins-de-semana uma mala e ir
para outra casa. Essa casa, por muito que me tentassem fazer uma
lavagem cerebral, não era- de todo!- a minha casa. Não era um sítio onde
quisesse sequer estar meia hora, não que me tratassem mal, também não
era o caso, mas não era a minha casa. E isso devia bastar. E quando
cresci deixei de fazer a mala. Limpei os medos, livrei-me dos monstros.
Mas não pensei que alguns já viviam em mim, independentemente da casa
onde dormisse. Faziam parte de mim. E, por isso, ainda hoje não consigo
dormir. Tenho imensas noites em claro. Aprendi a gostar da noite, porque
convivo com os seus habitantes, os monstrinhos dos contos de fadas para
adultos. Para mim, a parte que mais gosto da noite é ver a lua.
Lembra-me as viagens noturnas em que parecia que ela andava a correr ao
lado do carro. Onde eu imaginava viver nela. A lua foi sempre um símbolo
para mim, não sei a razão, mas sempre me inspirei nela para escrever as
minhas histórias.
E hoje, inspirou-me mais uma vez. Hoje fui visitar a minha
cara-metade, ou metade-cara, pontos de vista, pois sai-me caro sustentar
este vício. E sim, ele é um vício. Hoje deixei Roma, volto a casa.
E hoje, ao lado dele, a lua nunca me pareceu tão bonita.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
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